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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Desktop | Calendário | 2013

O site oficial da banda disponibilizou o calendário Keane 2013 e o Richard deixou uma pequena mensagem para nós!
 
"Aqui está o nosso quarto calendário anual do keanemusic para fazerem o download (se quiserem). É uma fotografia que tirei ao Tom durante a gravação do vídeo de Sovereigh Light Café, num glorioso dia em Bexhill. 2012 foi um ano espectacular para nós, e isso tudo se deve a vocês - obrigado por apoiarem o Strangeland e por irem à todos os concertos, por visitarem o keanemusic e especialmente por votarem no Disconnected para Melhor Video nos Q Awards... vocês são uma incrível família online, e nós somos incrivelmente sortudos por vos termos. Nós voltaremos com mais em 2013, por isso vemo-nos em breve.

Feliz ano novo!

Richard"

Para baixar o calendário basta clicar na imagem abaixo  para a versão full-size e guardar no teu computador!
 
 
 
Calendário 2013

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Entrevista | Lindy Heymann | Diretora do video Sovereigh Light Café

Para quem não sabe, Lindy Heymann foi a responsável pela direção do video do mais recente single Sovereigh Light Café.



No site da banda foi publicada uma entrevista muito interessante e esclarecedora com  a diretora. Podes ler o original através deste link ou a tradução abaixo.

P. Olá Lindy. Parabéns pelo video de Sovereigh Light Café - foi muito bem recebido pelos fãs dos Keane. Ficaste contente com o resultado final?
R. Obrigada - sim estou muito feliz com o resultado e fiquei encantada pelos fãs sentirem o mesmo. Eu quis capturar o coração e espírito de Bexhill e espero que o video tenha passado isso.

P. Qual era o conceito original do video?
R. A banda queria filmar um video que mostrasse o Sovereigh Light Café - portanto Bexhill seria sempre o nosso destino. A ideia de usar pessoas de Bexhill surgiu ao cruzarmo-nos com todos aqueles grupos e clubes tão diferentes e maravilhosos da área. É realmente maravilhosa a quantidade de atividades disponíveis. Desde ciclistas eduardianos e dançarinas de dança do ventre a entusiastas de carros clássicos, bandas e remadores. Há realmente de tudo.


P. Como conseguiste encontrar todas as pessoas que apareceram no video?
R. Eu encontrei alguns na internet mas a Ann Marie e a Lauren (membros da nossa maravilhosa equipa de produção) entraram em contato com os grupos individualmente para ver se eles estavam interessados. Lembro-me que foi muito rápido, pois a banda estava a meio da turné e só estavam disponíveis durante um dia. Ninguém que tenhamos contactado nos recusou, o que penso dizer muito sobre os Keane.

P. Foi difícil trabalhar com tantas pessoas?
R. Sim, estaria a mentir se dissesse que não... mas foi igualmente brilhante - não houve guião por isso pobres produtores e assistentes de direcção, tiveram o desafio de programar toda a gente com os tempos e posições ao longo do passeio a beira-mar. Nós fizemos o nosso melhor - mas invariavelmente houve muita espera entre as pessoas. A banda foi incrível ao lidar com todas as pessoas o que penso que ajudou a que toda a atmosfera fosse mais relaxada.

P. Alguns fãs disseram que o video têm um bocadinho do espírito dos Olímpicos. Foi intencional?
R. Sim - eu penso o mesmo - não foi intencional, mas olhando em retrospectiva sem dúvida que captura o momento.


P. Quanto tempo demoraram as filmagens? Correu tudo calmamente?
R. Foi o dia inteiro - de manhã ao anoitecer - e sim foi um óptimo dia. Claro que nós fomos muito abençoados com o tempo (alguns membros da equipa sairam com algum bronze) - se bem me lembro, choveu nos dias que antecederam e sucederam a filmagem.

P. Presumidamente as pessoas que estavam a passar deram-se conta que tu e a banda estavam a filmar o vídeo? Que problemas é que isso trouxe?
R. Não, surpreendentemente não. Os locais sempre muito relaxados e muito amigáveis, foram muito compreensivos com as nossas filmagens.

P. Já tinhas ido a Bexhill antes? Está lindo no vídeo.
R. Já mas há muitos anos atrás - é um bonito local de costa e muito cinematográfico.

P. Conseguiste experimentar a comida do Sovereigh Light Café?
R. Claro - eles foram fantásticos - eles fizeram o catering para o vídeo.

P. Finalmente, qual é o teu próximo trabalho?
R. Neste momento estou a colaborar num filme muito energético sobre ladras/carteiristas femininas no séc. XIX em Londres. Eu sei... não poderia ser mais diferente!!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Artigo | The Guardian | William Boyd


William Boyd para além de romancista e escritor de bestsellers é também o autor da pequena história presente na versão Deluxe do último Strangeland.
Num artigo escrito para o site do jornal britânico The Guardian, fala da sua relação com os Keane, com a história que escreveu intitulada The Sovereigh Light Café e as mútuas inspirações tanto do escritor como da banda.

Lê o original aqui.


William Boyd: Porque adoro os Keane

No vasto espectrum das artes, dois mundos raramente se cruzam – o mundo da literatura e o mundo da música rock. Há exceções, claro – Salman Rushdie escreveu uma música para os U2; Nick Cave escreveu dois romances ótimos – mas estes são instantes pouco usuais, diria eu. O meu próprio caso é típico. Apesar de sempre ter sido um ávido consumidor de música contemporânea desde o início da minha adolescência, o mundo da música rock sempre foi algo distante – ouvia, lia, falava sobre isso mas tinha pouco ou quase nenhum contacto com as suas pessoas. É como o mundo dos astrofísicos ou da indústria de armamentos, diria: Tenho consciência das suas zonas de atividade mas não tinha colidido com elas. Bizarramente, eu conheci o David Bowie porque nos juntamos para um editorial de uma revista de arte, a Modern Painters. Nós costumavamos sentar-nos juntos – os rapazes novos – nas reuniões para o editorial. Conheci brevemente outros ícones de rock em algumas ocasiões sociais mas estes encontros foram todos aleatórios – e todos muito engraçados por esse motivo. Mas no caso dos Keane e eu foi diferente.
Nos anos 1980 e 90 eu tive uma espécie de aura sabática da música rock americana e anglo-saxónica. Os gostos mudam, penso eu, mas eu descobri os ritmos, energias e melodias da música da América Latina e de África muito mais sedutora do que a música oferecida pelo Ocidente. A música de Elis Regina, Milton Nascimento, Jorge Dexler, Cheikh Lô e Fela Kuti eram muito mais familiares do que Bruce Springsteen e Oasis, por exemplo.
Eu não abandonei totalmente o rock ocidental – deixei metade do meu ouvido aberto e foram as vozes que suavemente me atraíram de novo. A Björk começou, depois artistas como Polly Paulusma, Fiona Apple, Thea Gilmore começaram a seduzir-me – alguma coisa idiossincrática e assombrosa nas vozes fez com que investigasse a música mais profundamente. E então, em 2003, ouvi o primeiro single dos Keane, Everybody’s Changing, e desta vez a voz era de Tom Chaplin.

Comprei o Hopes And Fears, o primeiro disco. Não era apenas a voz volátil e vibrante que me tinha conquistado: Hopes And Fears era inequivocamente um grande álbum – não era um fracasso e tinha uma generosidade melódica que surpreendeu o rock britânico contemporâneo. As teclas sombrias de Tim Rice-Oxley podem ser o som característico dos Keane mas o seu talento para escrever grandes músicas pop/rock de 3 minutos e meio é prodigioso. O álbum atingiu o número 1 das tabelas num instante – o primeiro de cinco álbuns consecutivos a atingir o número 1. A produção dos Keane não é prolífera, devo dizer – quatro álbuns e um EP em oito anos é um risco para o “standart” – e exigências – da indústria da música rock.
Até agora tudo relativamente normal. Um entusiasmo nasceu. Mas um desses momentos da teoria dos Seis Graus de Separação estava para acontecer. Os pais de um amigo meu conheciam os pais de Chaplin. Por outros meios soube que os Keane tinham escrito uma música chamada Any Human Heart, inspirado num romance meu com o mesmo nome. Penso que na altura selecionei o Hopes And Fears como um dos álbuns britânicos que eu realmente gostei para um jornal nacional por alturas do Natal. Será que os Keane tiveram o mesmo “feedback”? Questiono porque de repente eu fui convidado a presentear a banda com um prémio da cerimónia da MTV em Amesterdão – eu rejeitei. Um convite para assistir a um concerto seguiu-se – eu não pude ir. Numa outra ocasião para outro jornal mencionei que os Keane eram uma das minhas bandas favoritas. Obviamente que as nossas órbitas estavam a começar a aproximar-se, se não a intersetar-se. Achei curioso como, sem um grande esforço da minha parte, ou da banda, começámos misteriosamente a criar um contacto.
Comprei, inquestionavelmente, todos os outros álbuns que eles tinham lançado – Under The Iron Sea, Perfect Symmetry e Night Train – e observei os Keane a flectirem diferentes músculos musicais, a explorar outros atalhos musicais. Finalmente, eventualmente, Rice-Oxley e eu planeámos um encontro. Falámos da música Any Human Heart que, nunca fez parte de nenhum álbum. Perguntei-lhe se estaria interessado em criar bandas sonoras para filmes – ele disse que sim. Nós descobrimos que partilhávamos uma quase-veneração pelo talentoso compositor Paul Simon.

Rice-Oxley e eu encontramo-nos de novo para um almoço. Por esta altura o quinto álbum da banda já estava a ser criado – Strangeland – um título inspirado num canto curiosamente isolado do sudeste de Inglaterra (East Sussex/West Kent) onde Rice-Oxley e Chaplin nasceram e cresceram. O sudeste de Inglaterra é uma das zonas mais populacionadas da Europa mas há uma parte significativa da zona rural tanto de Sussex como de Kent que é estranhamente remota, tanto no interior como no litoral, mesmo estando apenas a duas horas de Londres. Outra coincidência é que grande parte do meu novo romance, Waiting For Sunrise, acontece também no interior e ao longo da costa. Hastings, Rye, Winchelsea, Deal, Hythe, Battle e Romney Marsh todas são fortemente destacadas na minha narrativa.

Depois foi sugerido que eu escrevesse uma pequena história para ser incluída na edição Deluxe do novo álbum e pareceu-me a consequência mais natural do mundo. Foi um desafio interessante, de qualquer modo. Ficou claro que eu não conseguia escrever o tipo de “vídeo” ficcional de uma das músicas. As letras faziam isso e uma versão mais longa e detalhada de uma canção era apenas ser redundante. A inspiração tinha de ser mais indireta. Decidi escolher um dos títulos de uma das suas canções, Sovereigh Light Café, como título da minha pequena história e simplesmente começar por ali. A história que escrevi é de longe um reflexo da música mas é passado em Bexhill-On-Sea onde a ação da música acontece – outro dos locais essenciais ingleses que define a linha de Brighton até Margate. Bexhill é único pois tem uma obra-prima art-deco em frente ao mar – o De La Warr Pavilion. O Sovereigh Light Café existe no passeio do pavilhão e é um clássico café à beira-mar depois da grande e imponente torre do farol da plataforma de Sovereigh Light, cujas luzes intermitentes podem ser confundidas como estrelas cadentes, no horizonte do Canal da Mancha, a alguns quilómetros do mar.

Fui até Bexhill para sentir a atmosfera. Os Keane iam tocar ao De La Warr Pavilion como uma espécie de agradecimento às pessoas que os cuidaram e inspiraram. A frente modesta de Bexhill é muito bem cuidada e de algum modo conseguiu evitar o movimento vulgar a que algumas cidades cederam. A praia é limpa e os canteiros de flores estão arranjados. O local é uma forma sugestiva de férias inglesas intemporais. As gaivotas grasnam, os miúdos andam de bicicleta, os pensionistas reformados olham para o horizonte infitino e contemplam a eternidade. Eu vagueei até ao passeio e comi uma sandes de salsicha com um copo de Chardonnay no Sovereigh Light Café. Fiz perguntas e tirei algumas fotografias – ideias para a pequena história que iria acabar aqui em Bexhill estavam a começar a tomar forma, quase espontaneamente.

Escusado será dizer que Bexhill é muito inglês e que o novo álbum dos Keane (direto para o número 1, de novo) é enraizado nesta parte de Inglaterra. Não é limitado em modo nenhum: é mais uma celebração do facto da vida acontecer aqui – nestes locais fora de época – com a mesma intensidade e paixão, alegria e tragédia, o mesmo quotidiano e tédio, assim como em qualquer parte do país – ou do mundo, até. A riqueza melódica do dom de Rice-Oxley e a sua incrível capacidade de surpreender em três minutos de música é finamente afiada em Strangeland assim como foi no Hopes And Fears. A voz de Chaplin mostra uma habilidade mais livre do que nunca (recomendo uma performance ao vivo para ouvirem a sua potência, desenfreadamente livre), Richard Hughes e Jesse Quin completam o apertado conjunto, desenvolvido após anos de tours. Os Keane são uma grande banda britânica – honesta e persistente em perseguir a sua própria visão. Sinto-me estranhamente feliz que o nosso lento, e sortudo encontro, se nada mais, juntou o mundo da literatura e o mundo da música rock. Provavelmente o encontro será produtivo num futuro próximo – esperemos para ver que novos dividendos poderão resultar.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Review | Brixton - Londres | Strangeland tour

Basta um vôo de cerca de duas horas para que mais da metade de um sonho esteja realizado. Ao chegar a terra dos Keane, começamos a sentir uma atmosfera diferente, uma mistura de ansiedade com uma alegria desesperante. A Inglaterra excita o coração de qualquer pessoa que mantém viva a juventude. Roupas, aparências, pessoas, comidas, paisagens, tudo tão singular, e coabitando em simetria entre o antigo e o moderno. É dali quem vem a banda que passamos dias, meses e anos a admirar.

Viagem a Bexhill
Desde que surgiu a música Sovereign Light Café, ainda durante a tour Perfect Symmetry, onde ela foi tocada algumas vezes, surgiu uma imensa vontade de um dia visitar este local … depois que o vídeo foi lançado essa vontade tornou-se cada vez mais forte e foi então que decidimos incluir esse passeio na nossa aventura em terras britânicas!
E lá fomos nós até Bexhill … depois de algumas pesquisas, decidimos apanhar o comboio em Victoria Station, e levamos mais ou menos 2 horas a chegar a estação de Bexhill, a viagem muito agradável, com paisagens lindas, muito verde, campos de golf, muitas vaquinhas e ovelhas e já quase chegando ao local, conseguimos avistar o mar!  Chegando a estação decidimos seguir em direção ao mar e lá procurar o já “famoso” café, nos deparamos logo com o De La Warr Pavilion ainda um bocado longe, este foi o local onde os Keane iniciaram esta tour, foi onde apresentaram em primeira mão o novo álbum Strangeland, um local muito bonito, numa  cidade a beira mar muito cativante, quanto mais olhavamos e caminhavamos, mais íamos reconhecendo os locais presentes no vídeo, incluindo também o bandstage falado na canção (o coração), onde também decidimos tirar fotos, claro!
Ainda um bocado sem rumo, achavamos que o café ficava do lado oposto ao pavilhão, eis que de repente em meio a chuva e ao vento, que praticamente destruiu os nossos guarda-chuvas, avistamos algo ainda longe, mas que de imediato gritamos ... “ALI ESTÁ ELE!”
Conseguimos lá chegar, entramos e rapidamente arranjamos uma mesa e começamos a analisar o local, descobrimos a mesa onde costumavam sentar, e assim que ficou vaga, corremos para lá, fomos super bem atendidas, a senhora dona do café, a dona Stella, uma simpatia, adorou saber que eramos fãs de Keane e que vinhamos de Portugal  e ainda nos mostrou algumas fotos que a banda em agradecimento assinou e lhes ofereceu. Ali ficamos algum tempo, observando, conversando, comendo o famoso “Fish & Chips”, e sonhando com os concertos que ainda viriam …  

"fotografia exposta no café com uma mensagem para todos os visitantes"



8 de Junho
Num ambiente frio e chuvoso, sobrevivemos felizes da vida a uma fila de 13 horas  de espera para a abertura das portas da Brixton Academy. Fãs de Portugal, Alemanha, Espanha, Brasil, França, Holanda, formavam pelo menos os 20 primeiros  da fila, e orgulhosamente, passamos as horas a gastar o nosso inglês e a compartilhar emoções, conhecendo outros fãs,  todos invadidos por um sentimento de companheirismo e amizade.  Algumas vezes saímos da fila para ir comer no maravilhoso cafézinho italiano de esquina o 'San Marino'.  Brixton é um sítio bem movimentado, com todo o tipo de comércio à volta e uma estação de metro que torna o acesso à tudo muito mais simples e fácil. Podíamos sair à vontade e a fila continuava organizada, o que é muito importante.
Enquanto estavamos na fila, avistamos uma pessoa que se aproximava a pé, provavelmente vindo do metro. Ele vinha de óculos e mochila nas costas e uma pasta nas mãos, e quando nos demos conta, fomos surpreendidos, era simplesmente Tim Rice-Oxley, que muito docemente cumprimentou-nos com um “Hello guys”.  Não após muito tempo passa por nós o fotógrafo amigo da banda, responsável pela artwork no novo álbum Strangeland, Alex Lake, como sempre muito querido e simpático veio cumprimentar-nos e perguntar como estávamos, e comentou sobre o tempo que realmente estava muito chuvoso, como se isso fosse novidade por lá. Após a passagem de Alex, fomos outra vez surpreendidos pela passagem de Tom Chaplin, dentro de um táxi, que olhou-nos com um ar de satisfação e alegria. Após este momento, foi a vez de Jesse Quin passar por nós,  e também vinha descontraído com o seu chapéu preto e Ray Ban, caminhando pela rua e cumprimentou-nos com sua simpatia (e ia a andar bem rápido pois o mesmo disse-nos que estava atrasado). Ficamos aguardando Richard passar também, mas ele avisou através do twitter que estava adoentado e não podia apanhar frio e por isso não iria a fila nos cumprimentar, como sempre muito atencioso!
Por volta das 18hs começavam as movimentações para a entrada no recinto e uma equipa de jovens da companhia telefónica O2, distribuiam brindes para as pessoas da fila. Pulseirinhas com o nome dos Keane, gomas, panfletos, etc...isso sim foi uma boa maneira de melhorar nossos ânimos que após tantas horas de espera, estavamos no auge da ansiedade, visto que dentro de poucas horas estaríamos a assistir os Keane em palco.
As 19 hrs em ponto deu-se a aberturas das portas, a entrada foi tranquila, éramos orientados por uma vasta equipa de seguranças que não permitia qualquer tipo de correria, ainda mais que a Brixton Academy é extremamente escura e pouco víamos o chão que pisavamos. Já dentro da sala, o nosso lugar estava garantido, a bandeira de Portugal na grade, tudo a postos, era só esperar mais um bocado para o espetáculo começar ...
Às 20 hrs, a banda de abertura Zulu Winter entrou em palco, que com uma energia muito boa e um som espetacular, conseguiu aquecer o público ansioso pela entrada dos Keane. Quem não conhece, vale a pena conferir. Após meia hora de concerto, os Zulu Winter deixam o palco com muitos agradecimentos ao público e aos Keane pela oportunidade. Após mais meia hora, exatamente as 21hs, toda a ansiedade é substituída por um euforia coletiva, ao som da música Baby Missiles da banda americana The War on Drugs e com as luzes ainda apagadas, finalmente os Keane aparecem num clima de magia, e a felicidade e a emoção com que sobem ao palco contagia logo de inicio o público. E começa o concerto...

Começam o espetáculo com You Are Young, que demonstra desde o ínicio ser uma canção poderosa ao vivo, a emoção com que Tom Chaplin entoa cada frase desta letra marcante, é absurda, e quase sempre olhando para o público, alternando apenas alguns momentos em que troca olhares e sorrisos com os seus companheiros em palco.
Logo de seguida "partem tudo" com Day Will Come que com certeza é um dos momento mais vibrantes do concerto, esta música ao vivo é contagiante, vibrante, da vontade de cantar aos gritos junto com a banda, que também não fica atrás na euforia.
Everybody’s Changing, Leaving So Soon?, A Bad Dream, Bend And Break, This is The Last Time, e Is It Any Wonder? também tem o seu lugar garantido no alinhamento e nos trás boas recordações, um sentimento de nostalgia e saudosismo, ouvi-las de novo, ainda depois de tanto tempo, é gratificante, já tínhamos esquecido como 'Leaving So Soon?' é poderosa ao vivo, um grande momento! Ouvir Nothing In My Way e We Might As Well Be Strangers é sempre uma emoção especial, umas das mais belas canções dos Keane.
Perfect Symmetry foi igualmente especial, é sempre com muita emoção que Tom Chaplin interpreta esta canção, quase sempre procurando alguém no público para trocar olhares, que faz qualquer mortal tremer nas bases, tamanha a profundidade com que ele penetra nos nossos olhos. Também tivemos direito a algo que ele já não fazia há algum tempo, descer até as grades no refrão “wrap yourself around me” e praticamente se atirar ao público, coincidência ou não ele veio exatamente onde estava a nossa bandeira de Portugal, os dois dias ... é sempre emocionante tê-lo tão perto, a cantar com tanta emoção.
The Starting Line, Disconnected, Sovereign Light Café e Silenced By The Night saciam, em parte, o desejo do público em ouvir as novas canções do álbum, com a bateria e o baixo a mistura ficam poderosas!! E com um dos  momentos mais especiais do espetáculo,  Tom Chaplin sozinho entoa o ínicio da música Strangeland, momento único e cheio de magia, seguido, já com a ajuda da banda de On The Road, mais umas das canções "pula e parte tudo", cheia de boa energia, que leva o público ao êxtase.
Especial destaque para Neon River e Sea Fog, que se no álbum já demonstram serem canções cheias de magia,ao vivo ficam qualquer coisa de espetácular,  o coro em Neon River é de fazer ficar com pele de galinha ...
Já perto do fim não podiam faltar as já carimbadas, Somewhere Only We Know e Bedshaped, cantadas letra a letra, por cada um dos presentes na sala, em alto e bom som, sob o olhar atento e emocionado da banda.
Em meio as palavras emocionadas, Tom Chaplin referiu que há 5 anos atrás estiveram ali no concerto da War Child, e que algo muito marcante aconteceu para os Keane nesta apresentação e com algumas trocas de olhares, tímidas e emocionadas com Jesse Quin, Tom referiu que na altura ainda eram oficialmente 3, mas foi neste concerto que o agora 4º integrante da banda teve a sua primeira participação ao vivo e sob os aplausos e ovações do público, Tom avistou o cartaz que empunhávamos em homenagem ao Jesse e fez questão de o vir buscar e entregar a quem era de direito.


O concerto terminou já no encore com a delirante Crystal Ball, havia ainda lugar para uma outra canção no alinhamento que não foi tocada, pois não houve tempo, visto que, entre as canções, o público não parava de entoar gritos e coros de satisfação em meio a palmas, palavras, e olhares emocionados da banda.


 9 de Junho

Finalmente o sol resolveu aparecer e permaneceu durante todo o dia, o que facilitou a espera na fila. Desta vez além dos fãs de vários países, também estavam presentes no início da fila os fãs ingleses, sempre fiéis. O passar do tempo foi bastante parecido com o dia anterior, com a diferença de estarmos mais aquecidos, apesar do cansaço acumulado do dia anterior. A entrada na Brixton Academy correu de forma bem tranquila novamente e desta vez a abertura do concerto ficou por conta dos Hoodlums, banda que Jesse Quin já fez parte no passado. Estes, eram bastante animados, com um vocalista acrobata segundo as palavras de Tom Chaplin, possuem uma performance ao mesmo tempo doce, agressiva e divertida. Escondido na escuridão do palco, Jesse Quin assistia-os cheio de satisfação e alegria, até que eles referiram o nome do Jesse com algumas brincadeiras à mistura e agradeceram  a banda a oportunidade de estarem ali.

Tudo a postos e lá estava a banda de novo em palco, cheios de disposição para nos brindar com mais um espetáculo único!
A setlist foi bem parecida com a do dia anterior, mas desta vez tivemos direito a ouvir Spiralling em vez de Nothing In My Way, que no concerto do dia anterior, não tinha sido tocada, por falta de tempo, gratificante ouvi-la de novo ao vivo, sempre muito divertida e empolgante, especialmente no refrão “Did You wanna be a winner ...” onde a voz de Tom Chaplin parece entoar por kms de distância.
O concerto decorreu muito empolgante e cheio de energia, como já estamos habituados, mas se tinhamos dúvidas que a banda conseguiria fazer melhor que o dia anteriror, estavamos prestes a descobrir que sim!

A banda esteve sempre atenta a tudo que se passava no público, atenta aos cartazes que os fãs traziam, as bandeiras de vários países, Tom Chaplin faz questão de ler todos e agradecer, citando a nossa bandeira de Portugal em tom de agradecimento pelo apoio, ele estava atento a tudo, a todos os cartazes, inclusive os que não eram pra ele, como os muitos pedidos ao Rich pelas baquetas, que ele gentimente atendeu entregando em mãos cada uma delas, e uma carta para o Tim que atiraram no palco, Tom fez questão de ler as primeiras linhas, arrancando sorrisos do Tim ... neste dia também tivemos direito a uma maior proximidade com Tom Chaplin que muito empolgado veio novamente as grades sentir a energia do público mais de perto, e por momentos permaneceu ali de costas para o público, apoiado no palco, virado pra banda, assistindo, como se fosse apenas mais um fã ... Jesse Quin decidiu acompanha-lo nesta aventura, e também desceu até as grades e veio sentir mais de pertinho a nossa energia, tudo isso sob os olhares atentos de Richard e Tim que se calhar, desejariam fazer o mesmo, se lhes fosse possível ...
O momento final estava prestes a chegar, pondo fim a nossa aventura, ainda tivemos direito a um sorriso e um "thumbs up" do Tom quando mostramos um cartaz que dizia "See you in July".
E terminaram mais uma vez com Crystal Ball, que sinceramente, é a canção perfeita para se terminar um concerto, deixando o público com a adrenalina a mil. 
Ao sair do recinto as pessoas ainda carregavam um sorriso rasgado no rosto, e com certeza, o desejo de os ver de novo, muito em breve! 



"fotografia tirada do palco pelo bateirista Richard Hughes"

domingo, 17 de junho de 2012

Making of | Alex Lake | Fotos do álbum Strangeland

O Alex Lake têm vindo a colaborar com a banda, ao longo dos anos, de forma muito presente e acompanhando toda a sua evolução, desde a pequena banda de East Sussex até à banda de um grande reconhecimento internacional.

O fotógrafo é o responsável da tão aclamada capa do último álbum Strangeland e descreve no seu blog toda a experiência para chegar ao resultado final, que segundo ele, foi algo inesperado.

Fotografia por Alex Lake

A minha mais recente missão foi fotografar a capa e as imagens promocionais do recente álbum número 1 dos Keane, Strangeland. Eu sabia de onde vinha a banda, sonoramente, neste álbum, pois fui ao estúdio algumas vezes durante um ano para documentar o processo de gravação. Tivemos algumas falsas partidas relativamente a ter a narrativa correta para o visual e eventualmente estabelecemos o percurso fotográfico a que estão familiarizados.

As fotos foram tiradas em Bexhill-On-Sea em Fevereiro passado, em alguns dos dias mais implacavelmente frios do ano – o meu carro ficou parado na neve, na periferia da cidade e eu fotografei alguns frames onde não era visível esse acumular de neve no chão. Eu estava na praia desde as quatro da manhã a tirar fotografias de longa exposição da mudança da maré. As minhas mãos estavam tão dormentes, mesmo com luvas, que já não sentia a minha câmera. Penso que estavam cerca de -8 graus e parecia mais frio devido ao intenso vento. Estava brutal. Eu sabia que estava a tirar fotografias interessantes mas o tempo estava a ser uma grande distração e eu não tinha a certeza se estava a conseguir tirar alguma coisa que valesse para capa. Eu queria contar uma história humana sem ter alguém na imagem. E também queria estar num espaço fechado e fora deste espírito gelado. Eu não conseguia pensar, mas só tinha alguns dias para chegar à capa que todos gostassem. A pressão estava a tornar-se um peso nesta altura.

Por volta das 5h30 da manhã eu vi as luzes aparecerem lentamente nos edifícios e eu soube pelo sítio onde estava na praia que no horizonte estava a minha fotografia. Eu soube instantaneamente. E foi isso. Eu estava em frente da próxima capa do álbum. Penso que não conseguiria outra fotografia de Bexhill que representasse melhor o álbum. Eu fotografei o mais rápido que pude porque sabia que o momento – e a luz – estavam a passar rapidamente. Espero ter capturado alguma coisa da isolação, intimidade e sobrenaturalidade que senti nessa manhã. Espero que passe a ideia de uma jornada. De uma subida íngreme. De sair e de regressar. De destino. A fotografia original é menos colorida, um conjunto de azuis pálidos e um amarelo acentuado como podem imaginar àquela hora do dia. A gradação adicional da imagem foi feita pelo esplendido designer Rob Cherny (Tourist) que enquadrou e encaminhou para a campanha que ele tinha criado com a banda. Podem ver fotos adicionais da edição limitada do livro em A4, que inclui fotografias minhas, que ele desenhou para o álbum aqui no meu site: http://bit.ly/KGN5tU

O que gosto da imagem é que é uma história genuína. Não inventamos as luzes que vinham ou aquela fotografia. Era a primeira vez que ia para aquela parte à beira-mar por isso há uma verdade com a fotografia original que eu adoro. É apenas um retrato da vida naquela cidade. Voltei nas manhãs consecutivas à espera de conseguir tirar mais fotografias do mesmo género, para dar à banda mais opções daqueles e de outros edifícios, mas claro, as luzes nunca mais voltaram tão cedo, sempre que o sol nasce e nesse impasse entre a noite e o dia onde tirei a fotografia da capa e a vida parece que para momentaneamente, permanecendo escuro.

- Lê o texto original, escrito pelo Alex Lake aqui.